terça-feira, março 28, 2006

RECOMEÇO

Não dormiu. Olhos abertos, lágrimas caindo, uma dor no peito. Estava sufocada.
Levantou, olhou-se no espelho, vestiu aquela blusa premeditadamente. A mesma blusa que ele achava linda nela. Enquanto isso, pensava: "Como era bom ver aquele brilho nos olhos dele e um sorriso se abrindo quando vestia aquela blusa".
Repetia mil vezes: "Onde foi que errei? Por que ele agora me parece um estranho?"
Um acesso de raiva. Uma pancada, duas, três... várias. As mãos só não doem porque o coração não deixa. Com certeza ela se arrependerá disso mais tarde.
Instintivamente começa a rezar. Pedia a Deus que fosse amada. Há muito tempo ela não rezava. Até ontem.
Deus poderia achar que era interesse, mas ele sabia que era desespero.
Olhou-se no espelho mais uma vez. Não se achava mais bonita. No rosto cansado e visivelmente marcado pelas lágrimas de uma noite difícil, ela não via mais esperança. Só conseguia ver dor.
Esperou...
Acreditou que aquilo que antes a tornava completa, hoje, acabaria sendo somente um vazio, uma falta.
Não foi assim.
Ela chorou. Foi abraçada.
Olhos nos olhos. Ele havia dito que precisava disso. Então ela olhou como que querendo que ele visse seu próprio coração, ali mesmo, nos seus olhos.
Ela pediu: ME AME!
Foi atendida.
E entre lágrimas de felicidade, sentiu-se completa novamente.
Certeza.
E mais uma vez, aquela música tocou e o final ecoava em seus ouvidos...

"...and I feel fine"

domingo, março 26, 2006

Auto-análise

Eu tenho costume de analisar os outros. De julgar, condenar, colocar palavras na boca das pessoas, principalmente quando elas não falam. Também me analiso com frequência. E sempre pendo pro lado negativo da coisa. E o mais engraçado é que se auto-analisar negativamente é algo positivo. Claro, porque se achar boa, correta ou com razão é sempre tão mais fácil do que assumir que você é egoísta, que você errou, que deve desculpas, ai meu caro... é aí que ou a gente sai andando e dá as costas pra quem continua falando, ou fica em silêncio, pensando: Eu sei que estou certa! (a minha verdade é a absoluta)

Eu sou um pouco de tudo isso, tirando a parte de dar as costas. No caso eu sou a que sempre fala. Talvez a menina da verdade absoluta. Aquela que erra e acerta, mas nunca fica em silêncio.

Hoje, me sinto egoísta. Essa é a verdade absoluta do dia.
Sentir e achar está distante de ser, mas é um passo. E eu não gosto de dar passos errados. E muito menos que alguém caminhe e eu não possa acompanhar. Isso é o que mais incomoda.

quarta-feira, março 15, 2006

Sobre correspondências

Tentem não rir, se possível.

Quando ainda era uma adolescente mandei uma carta pra Globo.
A carta era destinada ao então na época casal de atores, Luana Piovani e Rodrigo Santoro.

ATENÇÃO: Se você já está rindo, não prossiga.

Eis aqui a cópia da carta na íntegra (com os erros de português, as redundâncias e a minha vergonha por ter um dia escrito isso). Divirtam-se:

Luana e Rodrigo
Sou uma pessoa que te admira muito não só como pessoa mais também como atriz e modelo. Quero que seu namoro com o Rodrigo dê certo e que vocês fiquem juntos, pois formam um casal ideal. Depois de ter visto o quadro "Intimidades" do Planeta Xuxa perecebi que você é uma pessoa simpática e decidida. Isso faz com que você seja admirada por mim e por muitas outras pessoas. Espero e desejo que você seja muito feliz, realize seus sonhos e desejos profissionais e pessoais.
Quero também falar do Rodrigo:
Rodrigo, você também merece tudo de bom, tenho certeza de que você será muito feliz. Percebi que a Luana, tanto como você, está em boas mãos.
Gostaria de falar algo:
"Tenham sempre certeza do que querem, pois isso facilita vencer todos os obstáculos da vida"
Sei que vocês trabalham muito mais queria se fosse possível um autógrafo e uma foto de vocês.
São os desejos de quem admira muito vocês!!!

Mirella Naomi Garcia Yoshida

Obs: Sei que isso é quase impossível mais mesmo assim deixarei meu telefone: (12) nononono nononono Caçapava - Sp

Sim, eu tive uma infância feliz e boba!

segunda-feira, março 13, 2006

devaneios noturnos

O silêncio é ensurdecedor

De que tenho medo?
Me apavora.
Calma. Calma. Calma.
Ajuda?! Precisa de ajuda?

Não dê razão aos meus delírios.
Minha mente é muito criativa.
Dentro dela, moram monstros.

Malditos!

Quero dormir.
Saiam!
Me deixem em paz!

Não quero ter medo.

Inquieta. Assustada.
Me dê paz.

Barulho. Faça barulho!
O silêncio é ensurdecedor.

Ela fala demais, porque tem medo do silêncio.

segunda-feira, março 06, 2006

Mais um dia

Hoje...

... uma amiga minha disse:
-Você está muito biscatona!
(Seja lá o que isso signifique, e/ou o que eu tenha feito)

...minha mãe me comprou uma chapinha de cabelo que pode ser usada em cabelos molhados.
(tão boa quanto a da Polishop)

...eu pronunciei no trabalho as palavras neuuublina, tânsito e plesidente.
(o dinheiro investido em fonoaudiólogos na minha infância não foi suficiente)

quarta-feira, março 01, 2006

impressões de carnaval

Começo a trabalhar em uma data onde a maioria das pessoas está de folga.

Minhas primeiras entrevistas para uma emissora e minhas entradas ao vivo na rádio tiveram momentos de tensão e prazer.

Eis aqui alguns momentos:

Pego o retorno coloco no ouvido. Rádio sintonizada. Ligo para o estúdio. Estou pronta. Mirella você tem trinta segundos. Ok. Espero a chamada com a minha entrevistada do lado. Passam-se um minuto. Dois e nada. A música da rádio muda. Ué? Não era pra terem me chamado? Mirella, te chamaram duas vezes e você não entrou. Pera aí? que música tava tocando? Uma marchinha. AAAAAahhh, eu tava na rádio errada.
Lado bom: pelo menos não sofri da sindrome Ruth Lemos.

Entrevistado do meu lado. Puxador de samba, suado, chapéu na cabeça. Pergunto eu: Como as pessoas podem participar do seu bloco ano que vem? Ele responde: Ah, o bloco só vexame é gosssstosooo! Com todo aquela malandragem.
Lado bom: pelo menos ele não me chamou de gossssstosa .

Marchinhas de fundo. Som alto. Eu de microfone na mão corro atrás de um senhor de 80 e poucos anos vestido de palhaço. Ele é rápido. Alcanço. Berro no ouvido do senhor. Posso entrevistar o senhor? Ele não entende. Repito a pergunta dessa vez mais alto. Ele aceita. Testo o aúdio. Começo a entrevista berrando no ouvido do palhacinho. Pergunto: E o que o senhor está achando do carnaval de Caçapava desse ano? Ele: 1980!
Lado bom: ele é um palhaço.